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OS ÓCULOS DA META VÃO EMPLACAR COMO ACESSÓRIO FASHION?
Muitos gadgets viram hits de vendas simplesmente porque entraram na moda (e não por conta, necessariamente, da tecnologia embarcada). O iPhone e o Galaxy servem de prova. Ambos dispõem de uma infinidade de recursos que a maioria das pessoas desconhece. Mas, independentemente disso, todo mundo quer porque quer ter um desses dois aparelhos. Os óculos inteligentes da Meta podem ter o mesmo destino, caso se consolidem como acessório de moda.
Isso pode acontecer? A empresa decidiu enfrentar a resistência inicial ao produto com uma estratégia clássica da indústria da moda: transformar um dispositivo tecnológico em objeto de desejo. Para isso, lançou a edição Starfire Kylie Edition, desenvolvida em parceria com Kylie Jenner, ampliou a oferta para 26 modelos e passou a defender que os óculos deixaram de ser um item que denuncia tecnologia para se integrar ao estilo pessoal de quem os usa.
A lógica por trás da iniciativa já funcionou em outras categorias. O iPod e as pulseiras de atividade física só alcançaram o grande público quando deixaram de ser vistos como gadgets e passaram a representar um estilo de vida. Nesse contexto, conquistar o público feminino é considerado decisivo para popularizar novas tecnologias. A influência comercial de Kylie Jenner reforça essa estratégia, já que sua capacidade de definir tendências e impulsionar vendas é vista como um ativo importante para levar os óculos inteligentes a um público muito mais amplo.
O desafio, porém, continua sendo o mesmo que acompanha o produto desde sua estreia em 2023. As preocupações com privacidade, vigilância e gravações sem consentimento seguem alimentando críticas de consumidores, especialistas e organizações da sociedade civil. A tentativa de reposicionar os óculos como um acessório fashion também foi interpretada por críticos como uma forma de deslocar o debate sobre os riscos da tecnologia para a estética do produto. Apesar da controvérsia, a Meta vendeu 7 milhões de unidades de seus óculos inteligentes no ano passado. O mercado parece disposto a experimentar essa nova categoria, mas sua consolidação como item de moda dependerá da capacidade de a empresa convencer os consumidores de que estilo e inovação podem coexistir sem ampliar a sensação de vigilância.

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