IAPergunte ao Marcelo, host editorial Prior.

GASTRONOMIA

0
QUEM AGUENTA TANTA COMIDA QUE PRECISA DE EXPLICAÇÃO?

- GASTRONOMIA

QUEM AGUENTA TANTA COMIDA QUE PRECISA DE EXPLICAÇÃO?

Virou uma regra em qualquer restaurante que foge do arroz com feijão (ou seja, que serve receitas autorais): o prato chega à mesa e a clientela é obrigada, antes da primeira garfada, a ouvir uma explicação do garçom, do maitre ou do próprio mandachuva da cozinha. Os foodies tendem a adorar esse tipo de coisa, mas para muita gente é uma etapa difícil de engolir. E não raro desnecessária: em muitos casos, bastaria escrever no menu, detalhadamente, o que vem em cada prato e do que se trata. Muitos restaurantes, porém, adquiriram o hábito (que julgam chique, embora tenha mais a ver com preguiça) de apresentar cada prato listando só 3 ou 4 ingredientes. Desse modo, o único jeito é se render ao falatório, que periga entrar por um ouvido e sair pelo outro.

De todo modo, não é exagero dizer que os restaurantes autorais estão, cada vez mais, servindo pratos que, você queira ou não, carecem de explicação. E não estamos falando só de menu degustação. Se você também já está um pouco cansado disso, a nova sequência oferecida pelo Nelita, da chef Tássia Magalhães, é uma excelente notícia. O celebrado restaurante no Baixo Pinheiros lançou uma degustação, apelidada de “menuzinho”, com sete clássicos da casa (R$ 390). Começa com o pão de fermentação natural do Nelita, acompanhado de manteiga noisette. O minimilho com amêndoas e brodo de milho, o agnolotti de cabra e o pappardelle com polvo são alguns dos pratos mais elogiados. O que eles têm em comum? São delicados, inesquecíveis e de fácil entendimento. A comilança termina com uma sobremesa de maçã confitada com St. Germain e camomila, seguida de bombom de acerola e limão. Precisa explicar mais alguma coisa?