BEBIDA

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O FASCÍNIO EXERCIDO PELOS VINHOS PRODUZIDOS EM CONDIÇÕES EXTREMAS
Há vinhos cujo fascínio começa antes mesmo da taça. É o caso daqueles produzidos em condições que desafiam a viticultura convencional, em lugares onde geadas, ventos intensos, radiação solar elevada, grande amplitude térmica e escassez de água impõem uma rotina de precisão. O Terrazas de los Andes Extremo Malbec é um dos exemplos mais emblemáticos dessa lógica. Produzido em El Espinillo, no Vale de Uco, o vinhedo mais alto de Gualtallary, a 1.650 metros de altitude, o rótulo é resultado de mais de três décadas de pesquisa da vinícola argentina do grupo LVMH. A parcela apresentou uma expressão acima do esperado, levando a anos de estudos, ajustes no manejo e aperfeiçoamento da vinificação até o Extremo se tornar o vinho ícone da casa.
O nome dá a pista sobre a proposta. As videiras de El Espinillo enfrentam geadas frequentes, ventos fortes, alta incidência de radiação solar, diferenças marcantes entre as temperaturas do dia e da noite e uma estação de crescimento mais curta. A equipe chegou a perder toda a safra de 2026. O cultivo, por isso, demanda investimentos maiores em logística, mão de obra e infraestrutura, além de equipamentos como ventiladores antigeada. Também são adotadas práticas de agricultura regenerativa e irrigação por gotejamento de alta precisão. O resultado é um ciclo de maturação mais longo, associado a frescor, tensão e pureza aromática. Na taça, o Extremo exalta notas de frutas vermelhas frescas, violetas, tomilho selvagem e ervas nativas, com energia, profundidade e taninos granulares que remetem ao giz e ao grafite dos solos calcários de Gualtallary. Barricas de carvalho francês acrescentam discretas notas de baunilha e especiarias.
Outra vinícola que tem um fraco por condições extremas é a Otronia, cuja produção é associada a temperaturas de 7 graus negativos na madrugada. Parte do Grupo Bulgheroni, do bilionário Alejandro Bulgheroni, ela decidiu fazer vinhos na Patagônia Extrema, sob frio congelante, pouquíssima chuva e ventos de mais de 110 km/h. Um dos rótulos é o Otronia 45 Rugientes Pinot Noir. O nome remete ao som emitido pelos ventos na região, semelhantes a um rugido da natureza. A combinação entre risco, dificuldade de cultivo e busca por uma expressão precisa do território ajuda a explicar por que vinhos produzidos em condições extremas exercem tamanho fascínio.

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